Sempre voltei à praia branca
quando nada sinto.

Habito com os mortos,
falo-lhes da casa,
quando nada sinto.
Aceno-lhes, dou provas
de uma vida feliz, sem a devida
correspondência.

Não gosto de hipócritas, saqueadores
de ideias, inibidores de ações e sonhos,
que se movem em areias movediças.

Vêem-nos no mar, sem piedade,
com um colete de forças
que os próprios nos vestiram,
para que afundemos, ó liberdade!

Sempre voltei à praia branca
quando nada sinto.

Dispo-me,
Visto apenas o colete salva-vidas,
acordaram os mortos!
Caminho nas asas da criação,
os pés a tocarem a substância rochosa.
O brilho é quente e puro,
o brilho é quente e puro…

Junho 2026

Beatriz Meireles