Sussurra – a vida é paciência,
limbo de onde esperas
a vinda da justiça e da sapiência.
Não esqueças…

as mãos procuram-na — a vida é paciência,
se só calcorreares utopias
corvos perversos atingem o âmago
do teu ser, o centro nevrálgico.

Toca cada sílaba da palavra — pa-ci-ên-ci-a
no topo da colina. Maratona
que poderá vencer o cansaço,
não facilitada pelo som dos pássaros!

Interrompe a respiração – paciência:
o eco que advém do céu e abraça a colina;
a paz interior que se senta contigo à janela.
Vive tudo outra vez.

Grita – Se morreres amanhã cessa
a paciência, afinal não é infinita…
Como pode a vida ser paciência?
Paciência, paciência, paciência…
(do topo da colina)

Beatriz Meireles,
Leça da Palmeira,
algures em março de 2026