A sala escura aguarda
a multidão.

Não estão indivíduos vivos
na multidão,
não há vozes, nenhuma voz
na multidão,
ideias que possam

ser erguidas da imaginação.

Ouvem-se ditongos decrescentes,
onomatopeias que se replicam
até à exaustão.

Atrás da cortina do teatro
esconderam
da multidão
a prudência, a inteligência,
a sensatez e a gratidão,
virtudes que não importa ensinar
a ninguém
da multidao.

Caem do céu as estrelas,
brilham tão pouco no palco
da mais repudiante representação.

Beatriz Meireles,
Paredes,
Novembro de 2024