Encaixava-se nos brincos
arroxeados de pérolas —
o céu, que também mereceu
uma fotografia.

Estavam a dormir os maus espíritos
e nunca mais acordaram,
a luz do lugar cegava-os
de serenidade…

… assim voavam, para muito longe,
os corvos negros,
espraiavam-se as tartarugas
no lago esplêndido —

um enorme espelho de vaidades
com lenços sedosos de nenúfares
ou, para os peixes, chapéus
de pétalas aos olhos intrusos.

Comoveu-me a beleza do jardim
e a delicadeza do jardineiro,
que em paz varria o tempo do musgo
e as histórias que cada folha caída,

silencia. Lágrimas em tons de rosa
desciam os troncos e tocavam
o chão. Morria, para cada flor,
a Primavera, mas não morria o jardim,

que será eterno
pelo menos até ao fim
do meu Inverno.

Kyoto (Japão), abril de 2025