Louredo da Serra,
6 de agosto de 2014

Junto-te, no dia de hoje, ao nosso diário, com uma overdose de carência de afetos, sem saber que caminho tomar. O teu filho, abandonado de amor, proclama, bondoso de um vazio indestrutível, qual barco à vela que perde o vento para andar no mar gasto de tempo, pela verdade da existência, se é que a verdade existe, existindo. Como podem errantes homens engoli-lo de mentira, de nada que o preencha de sentido? Meu amigo, meu amor não consentido pelo Deus que seguiste como um farol que ilumina, não poderás, com o abraço íntimo que sempre lhe deste tão proximamente, pedir orientação para o triste menino? Minha amiga, deusa da criação, devias sufocá-lo de presença, não te ausentares precocemente, quedada de lógica, apenas na velocidade asfixiante em sentires tudo, amares tudo, que nem conseguiste realmente amar quem mais devias! Apenas merecias que eu te desejasse o inferno, não os anjos, ingrata vencedora da morte! Caótica, destrutiva, consumida de fósforos que imploraram até arder, apenas, repito, merecias que eu te desejasse o inferno! Só que os anjos, os anjos ajoelham-se por ti e choram, choram como o teu filho chorará pela alegria inexistente, desconectada de praias repletas de gelados doces. O remorso e a obrigação implodem em mim, atriz vestida de manipulação! Errei ao não conseguir levantar-te do túmulo e errarei, não influenciando de promessas que se cumpram o filho do teu ventre. Conseguiram de mim somente isto, uma fonte sequiosa de encontro, que não encontrará água que a encha. Impotente, derrotada, converto-me à palavra que me perfume de vaidade. E perdão.

Outubrina Afonso