Louredo da Serra,
5 para 6 de março de 2016
Estou fora do corpo, levitando de solidão. Como um cisne negro que dança acordado de temor. Acendo as luzes para que os espelhos da casa propaguem os sinais angustiantes do tempo. Não chega ninguém para salvar-me do eu que já não conheço. Eu sabia que não chegaria ninguém, estamos sós, somente sós, tão sós! Desisto facilmente da guerra que me fez esqueleto. Também não era assim…. Olho, reflito, sou quem, afinal?
Outubrina Afonso