Há um corredor de luz que movimenta
o coração quando brincam as crianças.

Convidam o sol a sentar-se no baloiço,
vai e vem com elas o brilho ténue –
é tão livre, aquece-nos profundamente…

Descobrem também as cerejeiras,
encorajam as pétalas a abraçarem,
para além das outras flores, a felicidade.

É simples ser criança! O olhar toca
o céu de sonhos que as nuvens retêm,
não choram intempéries de maldades…

O tempo trará a perda da inocência,
será estranho ter bondade quando
no corredor escuro todas as portas

se fecham. Nem as palavras salvam,
descodificam o meu interior…
Simplifico, obriga o vento:
sento-me no baloiço com as crianças?

Beatriz Meireles
Paredes, 29 de março de 2026