Falam sem palavras dentro
os que não se inquietam
em existir.

As palavras permitem os refúgios
mais aprazíveis da humanidade,
como se as pernas reconhecessem
a locomoção.

São profusas as que conseguimos devagar,
impelidos pelas próprias palavras…
pequenos passos de iluminação, chuva
que acalenta a sede da derme.

Falam sem palavras dentro
os que possuem transportes velozes,
enormes corações vazios…

São tão móveis que não são.

Beatriz Meireles
Fevereiro de 2025