Na noite sobressaem pontos de luz.
Caem repentinos como tordos
sem que possam habitar,
mesmo em silêncio, lugar algum
da terra.
São cinzas que por entre os dedos
se esvaem, é o destino dado
à vida que se viveu
e à fé que perdemos.
Como eu queria a indulgência,
mas quão solitária é a mentira,
como nos pesa o tempo
de papel, consumido
pela tinta que incendeia.
Na noite, depois do baile,
não sobressaem pontos de luz…
Os meus olhos fecham
e é a cara da minha mãe que vejo.
Beatriz Meireles
Na noite de S. João de 2025