Frágil é o futuro,
líquen que avidamente consome
o tronco da árvore
sem que dela se apodere.

Queria adivinhá-lo,
imagino-o escondido
bem dentro das nuvens
e sossego por um instante.

Deito-me a contemplá-las
agito-as de baixo para cima,
no céu já não há
nenhum futuro guardado –

é folha de outono caduca,
mais uma folha de outono caduca
que encontrou o chão
separada do ramo.

Esmagam-no com os pés,
se frágil era, mais frágil está o futuro –
pedaços para encaixilhar
e dispor na mesa de napperon.

Beatriz Meireles
Outono de 2025