O artista que pinta as flores
não é o mesmo que olha o chão
desértico.
Há alma nas flores,
qual nuvem para um só jardim.
Há ladainhas nas flores,
campainhas mágicas e refrescantes,
que em mim
fazem silêncio.
Há memória nas flores,
eremitério que não abandono.
Há tempo nas flores,
rosas que balançam aos ventos complacentes.
Há flores para os amores
e as dores do artista
parecem-me tantas à colorida vista.
Beatriz Meireles
Fevereiro de 2024