Louredo da Serra,
11 de setembro de 2011

Perdemos um filho nascido da mesma forma que morremos lentamente, noite atrás de noite, como lume brando, abandonado, que arde na lareira da casa. E perdemo-nos também do ser que outrora existia, enredados de teias de medos, anseios, visões românticas e desilusões, pois o filho é e não é o que imaginávamos que podia ser.

A mãe deixa de assistir, pelo cordão umbilical, à respiração do filho para não mais respirar sem auxílio, mesmo que não pense sempre nele ou esteja na sua presença.

A mãe espera então pela morte certa, temendo que seja posterior à do filho, imaginando, caso não aconteça, como sobreviverá sem si com cinco, trinta ou setenta anos.

A mãe inquieta-se que o filho não seja filho, para ser pai ou mãe, mas desculpa-o sempre, quando presente ou ausente.

Amando, a mãe sofre, em silêncio, sonhando que o filho sorria até à eternidade.     

Outubrina Afonso