Trazíamos um sorriso limpo
que guardámos
no interior do mosteiro
por mais de cinquenta anos.
Construímos o mosteiro
de sólidas pedras,
com poucas brechas,
árvore de afetos e paz.
Somos vigilantes, se somos!
Dos embates, protegem-nos
as finas películas de vidro
às janelas, que reluzem intactas.
Somos reis, se somos!
De príncipes do povo,
filhos que cuidámos,
flores que vibram, que amámos.
Há um túnel de luz no mosteiro,
que nos clareia o caminho
da vida, onde depois veremos
o céu de brancas magnólias.
Beatriz Meireles
Entre Vilela e Vandoma, janeiro de 2025