Querido Pai Natal,
Há alguns dias que não escrevo, tenho as mãos vazias de letras, toco-as no teclado e apago-as logo de seguida. Escrever-te faz então mais sentido. O próximo ano literário aproxima-se, espero que possas guiar-me, de forma a adquirir mais confiança nestas coisas da escrita e a página em branco se contamine de ideias e de cores plenas de significado.
É igualmente importante que eu tenha energia e saúde para suportar as dificuldades da escrita com alento, perder a capacidade de respirar, e a escrita é uma outra maneira de o fazer, torna-me, por vezes, pouco focada. A missão da escrita exige disciplina, mas também inspiração e entusiasmo. Peço-te que possas manter na minha vida as pessoas que me influenciam positivamente, que me tratam com gentileza e respeito, trazendo-me outras que partilhem os mesmos interesses pelos livros e pelo conhecimento. Certamente terei muito mais a aprender! Ao invés, para manter a paz de espírito e a serenidade necessárias à criação, perder tempo a enervar-me com quem não é, de todo, assim, é uma opção a não considerar. Prezo muito a tolerância, a empatia e a sensibilidade para valorizar quem não comunga dos mesmos ideais!
Não devo, porém, preencher esta carta somente com solicitações ou desabafos circunstanciais, mas também agradecer todas as oportunidades que me deste. Em 2025, com os meus quarenta anos, publiquei dois livros novos que apresentei aos meus amigos numa tarde maravilhosa. O meu filho Bernardo estava muito feliz que um dos títulos tivesse o nome dele! Partilhar as histórias com as crianças da mesma idade tem sido uma experiência encantadora, a repetir muitas vezes, pois os abraços dos meninos e das meninas, ainda ingénuos e puros, são revigorantes. Tal como eu, acreditam em ti, Pai Natal, nos sonhos e nas posteriores concretizações que a vida nos vai oferecendo.
Estou-te grata, assim como estou grata a quem me fez bem, levando-me a praticar o bem.
Feliz Natal e Bom Ano de 2026, Pai Natal!
Com amizade,
Beatriz Meireles
2 de dezembro de 2025