A dor é um lugar comum,
uma noite escura sem sonhos
que toquem o coração das horas.
Na dor, violinos silenciam,
nascem pesadelos como balas
que fendem os músculos e os ossos…
… e os pesadelos crescem e não morrem,
são…
crianças que caminham nos escombros,
corvos negros que vagueiam solitários,
partituras que choram hinos de guerra.
A dor não escolhe dias,
é um mero calendário de horrores
que se repete.
Na dor, podem dedos premir gatilhos, podem
os mesmos dedos secar
sem veias que alimentem o sangue.
… e os pesadelos crescem e não morrem,
são…
crianças que não conhecem os pais,
corvos negros que visitam hospitais,
partituras que compõem o som de bombas.
A dor é um lugar comum
apenas para quem a sente… para quem tem
fome…
Uma casa ao contrário sem amigos que
possamos receber amanhã…
Então, para quê conhecê-los?
Beatriz Meireles
Agosto de 2025
Sobre a guerra em Gaza