O corpo é repleto de mistérios,
ter a brisa a percorrê-lo
é a alma a despertar.
É fria, das tempestades colheu
as “flores do mal”de Baudelaire,
a alma quase indolente
que se ofereceu ao corpo.
De todas as memórias,
aquecem-na como a lareira da casa
apenas algumas, as que devolvem o sol.
Há outras brisas reveladoras,
as que agitam as pálpebras
da criança a adormecer.
São como asas negras, ocultas,
lembram-nos que também os anjos
hão-de procurar abismos –
o corpo e a alma desconhecem!
Sou eu e não sou,
brisa vem, brisa vai,
brisa vem, brisa vai…
Beatriz Meireles
Junho 2026