Para escrever tens de ouvir o que está dentro. Mas nem sempre a garganta expele as palavras de um construtor, são pedras soltas, sem argila que consolide uma casa. Estás dentro da casa, porém não há paredes com janelas abertas à locução ou audição. Ficas fechado, sem uma voz que abrace o prado, os líquenes, as poeiras ou o éter, seguras as pedras com feixes de luz a entrar. Impões o silêncio, esperas que ofereça finalmente o poema, sem outras músicas que interrompam o bater do coração.
Beatriz Meireles
Novembro de 2025