Visitei Inês três vezes
no leito, sepulcro
de doença e pobreza.
Sempre fora a pobreza
um mistério, sorriso tímido
que convida a doença
a entrar. Sentou-se
com vergonha no lamuriento sofá,
silenciosa e escura,
tornando-se a pouco e pouco
sentença
definitiva e impiedosa,
arrastando Inês para um inferno
que paralisa,
gerador de uma maior pobreza.
Eis que Inês
é morta
e não rainha!
Beatriz Meireles,
Outubro de 2024