Escreveste-me uma carta de amor
com um código que não abria.
Eu e tu, tu e eu nem sempre somos
o mar inteiro feito de azul resplandecente,
somos, por vezes, algas de uma alastrante inquietude.
Escreveste-me uma carta de amor
com nada escrito dentro,
vazios somos, por vezes,
relâmpagos de recordações
em que imperávamos somente nós.
Escreveste-me uma carta de amor,
a mesma, a que hesito na resposta.
Talvez não queira voltar a conhecer-te,
somos outros, em permanente mudança.
Talvez não mais exista felicidade e
satisfação iguais a uma história que lemos,
que tende a desaparecer
no mar inteiro feito de azul resplandecente.
Salve-se a carta de amor do afogamento!
Beatriz Meireles
17 de agosto de 2025